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Noticiado em 29/4/2007
- Domingo
Da Redação de " A TRIBUNA "
" Controle do diabetes depende de
informação "
Mais do que ter à disposição nos postos de saúde todos os medicamentos e
materiais necessários para o controle do diabetes - algo que ainda
representa um desafio para o Governo -, o Brasil precisa ter uma rede de
informação que permita aos diabéticos conhecer seus direitos e os meios de
controlar a doença. Esta rede deve se estender a toda a sociedade.
A mensagem acima, transmitida durante o 1º Encontro Nacional de Pessoas com
Diabetes, realizado ontem em Santos, norteia as ações de organizações que
lutam para que as leis mais recentes saiam do papel e sejam conhecidas pela
população. A legislação estadual já determina, desde 2001, que o Poder
Público deve disponibilizar gratuitamente medicamentos e materiais para o
controle da doença.
O encontro de ontem é uma das ações com o objetivo de incentivar a criação
desta rede de informação e assistência e, por isso, reuniu representantes de
organizações não-governamentais de pessoas com diabetes e gestores da saúde
pública da Baixada Santista.
Presidente da Associação de Diabetes Juvenil (ADJ), Sussumu Niyama
ressaltou que, graças à Lei Estadual 10.782/2001, que instituiu atenção
integral às pessoas com diabetes, São Paulo é um dos estados mais avançados
no atendimento público referente à doença.
‘‘A maioria dos municípios paulistas já segue essa norma, mas, aqui no
Estado, ainda temos crianças morrendo de diabetes sem que a família saiba da
doença. Temos pessoas tendo membros amputados porque não sabem como fazer o
controle e não conhecem seus direitos’’, contou Niyama.
Para ele, o desafio do Governo e das organizações de apoio aos diabéticos é
colocar em prática a Lei Federal 11.347, aprovada em setembro do ano passado
e prevista para entrar em vigor em setembro deste ano. A lei estabelece a
distribuição gratuita de medicamentos e material para o tratamento da
doença, mas determina que as pessoas atendidas devem estar inscritas em
programas de educação.
‘‘Estamos discutindo como será este cadastramento. É necessária a formação
de uma estrutura adequada, com as organizações não-governamentais’’. Ele
defende a criação de um amplo programa de educação pelo Governo. ‘‘Educar é
muito mais barato para o País do que tratar problemas decorrentes do
diabetes’’.
Grabriela Reis Diccini, embaixadora da Federação Internacional de Diabetes,
ressaltou que o Brasil já dispõe de tecnologia avançada para o tratamento da
doença. ‘‘Temos, por exemplo, insulina da mais avançada. Mas ainda falta às
pessoas adquirir informação sobre a doença e sobre seus direitos’’, contou
ela, que participou do Congresso Internacional de Diabetes no ano passado.
REALIDADE NA BAIXADA
Na região, ainda há falhas na distribuição de medicamentos, segundo o
presidente da Associação de Diabetes Doces Amigos da Baixada Santista, José
Ricardo Figueiredo. ‘‘Alguns municípios ainda não oferecem atendimento
adequado’’.
Para ele, falta, em todas as prefeituras, a disponibilidade em realizar
ações integradas com organizações como a Doces Amigos. A entidade promove
mensalmente palestras em comunidades de todas as cidades da região
instruindo famílias quanto ao controle adequado da doença. A associação
mantém também um programa assistencial pelo qual distribui mensalmente 20
cestas básicas com produtos dietéticos. A iniciativa é financiada por
empresários.
Lei 11.347, de 2006
Dispõe sobre a distribuição gratuita de medicamentos e materiais necessários
à sua aplicação e monitoramento da glicemia capilar aos pacientes inscritos
em programas de educação para diabéticos. Entrará em vigor em setembro deste
ano.
Serviço - A Associação de Diabetes Doces Amigos da Baixada Santista atende
pelo telefone 3375-2302, e o site da entidade é
www.docesamigos.org.br. O site da Associação de
Diabetes Juvenil é
www.adj.org.br, e o telefone, (11) 3675-3266.
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