Pfizer suspende venda da insulina inalável Exubera
FELIPE MAIA
da Folha Online
A Pfizer anunciou nesta quinta-feira (18) que vai interromper mundialmente a
comercialização do medicamento Exubera, a primeira insulina em pó, inalável.
De acordo com a empresa, a decisão foi tomada devido à baixa aceitação do
produto no mercado e não está relacionada a possíveis problemas de saúde
causados pelo medicamento.
O Exubera foi desenvolvido pela empresa Nektar, que licenciou o remédio para
comercialização pela Pfizer. O desenvolvimento do medicamento levou cerca de
15 anos, até que fosse lançado nos Estados Unidos em agosto de 2006. No
Brasil, está presente desde maio deste ano.
Trata-se da primeira alternativa para as pessoas que sofrem de diabetes, para
a substituir o método tradicional de medicação da insulina, por meio de
injeções. Prometia ser revolucionária.
"A Pfizer não encontrou a receptividade esperada por parte do mercado, por
isso resolvemos direcionar recursos para outros investimentos", informa João
Fittipaldi, diretor médico do laboratório.
Fracasso
Segundo ele, atualmente apenas 2.000 dos 11 milhões de diabéticos no Brasil
estão utilizando o medicamento, número que a companhia considerou
insuficiente. No mundo, estaria ocorrendo o mesmo. Com isso, a Pfizer resolveu
devolver os direitos do produto para a Nektar.
A companhia ressalta que os pacientes não devem interromper o uso
imediatamente, já que o produto ainda será vendido durante um tempo, até que a
retirada seja aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
Os usuários devem consultar um médico para escolher outro tratamento.
Surpresa
De acordo com Antonio Roberto Chacra, ex-presidente da Sociedade Brasileira de
Diabetes, a notícia, divulgada nesta quinta-feira (18), "caiu como uma bomba"
no congresso internacional da instituição, que está sendo realizado em
Campinas.
"Não tivemos qualquer notícia de alguma coisa que causasse a suspensão do
remédio. Ele é eficaz, tem boa ação, ou não teria sido aprovado. Estranhamos
porque a decisão foi abrupta", afirma o médico.
Segundo ele, uma hipótese para a baixa aceitação do produto foi a falta de
portabilidade. O inalador utilizado para tomar a medicação seria muito grande
e grosso. "Não dá para carregar na bolsa, para uma festa, um jantar. No caso
da injeção o paciente pode aplicar mais discretamente", afirma.