Domingo,
30 de Julho de 2006, 07:26
Doces Amigos orienta pais de crianças diabéticas
Da Sucursal
LUIZ OTERO
Ao nascer, Carolina (nome fictício) foi recebida com muita alegria pela famlíia.
Porém, três anos depois, começaram a surgir os problemas de saúde, que
culminariam em diversas internações hospitalares. Por fim, o diagnóstico final:
a criança era portadora de diabetes tipo 1.
A notícia caiu como uma bomba na cabeça dos pais da menina, que passaram a
procurar desesperadamente, através da internet, informações sobre os tratamentos
mais adequados. Começaram a comprar os medicamentos necessários, de alto custo,
sem saber que na Cidade havia um programa na rede municipal de saúde destinado
exclusivamente para esta finalidade.
A história da jovem Carolina, hoje uma saudável adolescente de 15 anos, não é
diferente das 54 famílias que integram a Organização Não-Governamental (ONG)
Doces Amigos da Baixada Santista, fundada em Cubatão em janeiro do ano passado.
O objetivo é divulgar informações e, principalmente, orientar pais de crianças
portadoras da doença sobre como agir com relação a alimentação e ao
acompanhamento diário.
Rede municipal
Atualmente, a entidade assiste cerca de 600 jovens, sendo 54 deles de Cubatão.
Todos são encaminhados para os programas das redes municipais de saúde da
região, que se encarregam de fornecer os kits com medicamentos. Recentemente foi
firmada uma parceria com a Petrobrás, que fornecerá cestas básicas especiais,
com produtos das linhas diet e light para atender as famílias dos jovens.
Além disso, os representantes da ONG ajudam no monitoramento da taxa de
glicemia (que mede a quantidade de açúcar no sangue) e outras orientações
básicas, como a necessidade de realizar atividades físicas. O teste é realizado
de forma simples, em diferentes horários do dia, através de uma gota de sangue
extraída da ponta do dedo e um aparelho monitor que mostra como está a situação
do paciente.
Miriamar Dias de Sousa, coordenadora administrativa da ONG, explica que a idéia
surgiu a partir das dificuldades enfrentadas pelos pais envolvidos. ‘‘Percebemos
que conscientizar era o melhor caminho. Quando bem tratado, o paciente portador
de diabetes vive normalmente em sociedade’’.
Segundo ela, alguns tabus ainda precisam se quebrados, como por exemplo, a
questão da merenda escolar e os produtos servidos nas cantinas. Recentemente, a
Câmara aprovou um projeto de lei, de autoria da vereadora Márcia Rosa (PT), que
cria um programa alimentar especial na rede municipal de ensino, voltado para os
alunos portadores de diabetes.
‘‘É bom que se esclareça que o jovem portador de diabetes não precisa ser
submetido a um rígido controle alimentar. Pães e cereais, por exemplo, fornecem
a energia necessária durante a infância. A socialização é muito importante para
o bem-estar do estudante’’, assinala.
Lei
Outro ponto enfatizado foi a legislação vigente que assiste esse público. O
Sistema Único de Saúde (SUS), através da Lei 8.080/90, deve prestar atendimento
ao comando constitucional, enquanto que a Lei Estadual nº 10.782/01 definiu
diretrizes para que o SUS garanta o fornecimento universal de medicamentos e
insumos no Estado de São Paulo.
‘‘Essa assistência prestada pelo poder público é obrigatória, mas muito pouco
divulgada pela mídia em geral. Por isso é que fazemos questão de enfatizar o
aspecto legal, para que as famílias possam exigir aquilo que elas têm de
direito’’, explica Miriamar.
A entidade luta agora para construir ou adquirir uma sede própria. Por
enquanto, os atendimentos são feitos na Rua São Paulo, 311, salas 25 e 26, no
Centro de Cubatão. A ONG também mantém uma página na internet (www.docesamigos.org.br),
através da qual os interessados podem obter esclarecimentos e orientações, como
receitas diet simples e dados sobre a legislação atual. Mais informações podem
ser obtidas pelo telefone 3375-2302, de segunda a sexta-feira, em horário
comercial
O que é Diabetes
É uma disfunção crônica que leva ao aumento da glicemia (açúcar no sangue), por
ausência ou falha na produção de insulina, hormônio responsável pela entrada da
glicose nas células do organismo. O tipo 1 é mais comum em crianças e
adolescentes e nele o pâncreas pára de produzir insulina. No tipo 2, mais comum
em adultos, há uma falha de produção de insulina ou o organismo não deixa que
ela tenha uma utilização adequada. Esta doença é um dos mais graves problemas de
saúde pública pois ao se reconhecer que a principal causa de mortalidade no
mundo que são as doenças cardiovasculares, o diabetes contribui com 40%, pode-se
considerar que como doença crônica isoladamente, é a maior causa de
morbi-mortalidade em todo o mundo. No Brasil acomete aproximadamente 10% da
população entre 30 e 69 anos, atingindo entre 9 a 10 milhões de pessoas, sendo
que em torno de 5 a 6 milhões apenas que conhecem sua situação.
Fontes: Associação Nacional de Assistência ao Diabético (ANAD) e Associação de
Diabetes Juvenil (ADJ)
Quais os sintomas mais frequentes?
Urinar muitas vezes e em grande quantidade, sede exagerada, ganho de peso
rápido, perda de peso, ter muita fome, desânimo, fadiga, piora da visão, visão
embaçada, furúnculos freqüentes, cicatrização difícil, infecções de pele e
coceira, pressão arterial alta, cãimbras, tremores, palpitações e suor frio.