CREME ACELERA CICATRIZAÇÃO...


     

    Um simples corte na pele pode ser um ferimento banal para muitas pessoas, mas não para cerca de 10% da população adulta brasileira que sofre de diabetes. A doença retarda o processo de cicatrização e deixa a ferida sujeita a infecções que, em alguns casos, podem causar até a amputação de algum membro. A ameaça está mais próxima de ser extinta, graças a pesquisadores brasileiros da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Eles desenvolveram um inédito creme à base de insulina que acelera e, praticamente, iguala o processo de cicatrização de feridas em relação a quem não tem a doença.

    A novidade já foi registrada no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) e pode ser lançada no mercado brasileiro já no fim do ano que vem, desde que os pesquisadores consigam finalizar os testes feitos em seres humanos.

    - Finalizamos os estudos em animais e já estamos testando o produto em 14 pessoas, com grande eficácia. Agora, precisamos de mais voluntários - diz o endocrinologista e professor da Unicamp, Mário Saad, que coordena a pesquisa.

    Vantagens

    Na prática, o "creme de insulina" - como vem sendo chamado o produto - conseguiu igualar o tempo de cicatrização de ferimentos em animais diabéticos e não-diabéticos. Nos testes, um corte de um centímetro levou nove dias para cicatrizar totalmente em animais saudáveis. Nos diabéticos, a cicatrização, que era de 15 dias, com o uso do creme, também ocorreu em nove dias.

    Este é o primeiro produto à base de insulina utilizado para acelerar a cicatrização de feridas. Um outro tipo de creme (PDGF) usado com o mesmo propósito já existe nos Estados Unidos, porém, de acordo com Mário Saad, o produto brasileiro leva vantagem.

    - Depois de lançado no mercado, nosso creme será infinitamente mais barato. Além disso, o produto não é absorvido pelo organismo. Sua ação se restringe ao local do ferimento e não há qualquer contra-indicação - explica.

    Possibilidades

    Durante os testes, a aceleração efetiva do processo de cicatrização, a princípio, só aconteceu nos animais diabéticos. Nos não-diabéticos, em vez de nove dias, a ferida cicatrizou em oito, com o creme.

    - Ainda é prematuro dizer se o creme acelera o processo em qualquer circunstância, pois ainda não o testamos em humanos não-diabéticos. Mas é provável que vítimas de outras patologias, como hipertensão e varizes, que causam retardo na cicatrização, também possam se beneficiar - diz o endocrinologista, que teve como parceira de pesquisa a enfermeira Maria Helena Melo Lima, também da Unicamp.

    Previsão de chegada ao mercado: final de 2008

    Maiores informações através do site: www.unicamp.br