ESTUDO
REVELA QUE DIABETES É MAL CONTROLADO POR TRÊS EM CADA QUATRO PACIENTES
BRASILEIROS
Pesquisa feita com 6.700 portadores de diabetes em 10 cidades no Brasil mostra
que 75% deles não estão com a doença sob controle
Os números do diabetes no Brasil e no mundo são alarmantes. É consenso entre
organizações, entidades e médicos de todo o mundo que o diabetes é um dos
problemas mais sérios de saúde pública. Resultados de estudo inédito, realizado
pela Pfizer, reforçam a gravidade da situação brasileira: 75% portadores de
diabetes envolvidos na pesquisa, ou seja, três em cada quatro não estão com a
doença sob controle. Esse índice sobe para 90% entre os portadores de diabetes
tipo 1.
Apesar do grau de descontrole da doença ser alto de forma geral, a pesquisa
mostrou que os homens se cuidam mais do que as mulheres. O nível de controle foi
"muito ruim" em 70% dos homens pesquisados; a porcentagem foi de 77% nas
mulheres.
Denominada de "Estudo Epidemiológico do Diabetes no Brasil: Grau de Controle
Glicêmico e Complicações", a pesquisa envolveu 6.700 pacientes, na faixa etária
de 18 a 98 anos, de 22 centros clínicos espalhados por 10 cidades (São Paulo,
Campinas, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Brasília,
Recife, Salvador e Fortaleza). Os pacientes avaliados estavam sendo acompanhados
por algum serviço médico, especializados ou não no tratamento do diabetes.
Nessa amostra, 34% eram do sexo masculino e 66% do feminino, entre brancos
(45,9%), pardos (40,3%), e negros (12,3%). O nível de escolaridade de mais da
metade dos participantes da pesquisa - 61% -, têm até o 1º Grau; 22,4%
completaram o 2º Grau; 9,7% têm curso Superior; e 6,9% são analfabetos.
Na avaliação das características dos participantes do estudo, os resultados
também apontaram que:
O controle glicêmico piora à medida que a idade aumenta, principalmente no
portador de diabetes tipo 2. Setenta e nove por cento dos avaliados entre 50-59
anos atingiram o nível muito ruim, contra 73% daqueles abaixo de 39 anos;
A diferença do controle glicêmico considerada "muito ruim" entre brancos e
pardos foi pequena: 71% e 75%. Ela aumenta ao se comparar brancos e negros: 71%
e 80%;
Ao se avaliar o nível de escolaridade, o percentual do descontrole continua
alto, mas é menor entre os que têm curso superior - 65% (2º Grau - 74%; e 1º
Grau - 75%);
Portadores de diabetes que fazem dieta apresentam melhor controle glicêmico;
O controle glicêmico é melhor em pacientes que aderiram ao tratamento com in e
medicação oral;
A maioria dos participantes do estudo tem uma percepção correta sobre o controle
da doença. 93% dos portadores de diabetes tipo 2 consideram "muito ruim" o
controle da própria doença;
Pacientes da região Nordeste, portadores de diabetes Tipo 2 em tratamento com in
apresentaram o menor grau de controle da doença. O nível "ruim, muito ruim e
péssimo" de controle glicêmico por região foi: 93% Nordeste, 92% Sul, 89%
Sudeste, 87% Centro-Oeste.
O levantamento foi idealizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp),
pela Pfizer e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz - Bahia) e contou com o apoio
da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). "Trata-se do primeiro grande estudo
brasileiro sobre o controle glicêmico em portadores de diabetes. Foi um trabalho
de grande abrangência e rigor científico, que fez um diagnóstico da situação no
Brasil", afirma Edson Duarte Moreira Jr., pesquisador da Fiocruz - Bahia e um
dos coordenadores do levantamento.
"Os percentuais do mau controle do diabetes revelados no estudo são muito altos.
Quem está com níveis inadequados de glicemia (açúcar) no sangue tem grandes
chances de desenvolver sérias complicações decorrentes do diabetes", diz Antônio
Roberto Chacra, chefe da Disciplina de Endocrinologia da Unifesp e um dos
idealizadores do projeto.
O alerta do especialista não é à toa. O estudo detectou, por exemplo, que 45%
dos pacientes sofrem de problemas sérios de visão que podem levar à cegueira (retinopatia
diabética), 44% têm neuropatia diabética (alteração nos nervos) e 16% apresentam
alteração da função renal.
"Ao comparar o Brasil com outros países podemos ter uma noção melhor da
gravidade da situação", comenta Moreira. Na prevalência do controle glicêmico
inadequado, o Brasil está na segunda posição, atrás somente da Tunísia (83%), em
uma lista onde os campeões não merecem prêmios.
O estudo foi iniciado em março de 2006 e terminou em fevereiro deste ano. Com um
questionário padronizado, profissionais treinados entrevistaram e coletaram
dados de pacientes atendidos em serviços médicos nas cidades participantes. A
pesquisa teve como objetivos avaliar o grau de controle glicêmico em pacientes
com diabetes, que foi aferido por meio da medida da hemoglobina glicada (teste
que reflete o grau de controle da glicemia nos últimos três meses), e também
identificar a presença de complicações da doença. De acordo com os critérios da
Associação Americana de Diabetes, uma taxa de hemoglobina glicada inferior a 7%
está associada a um risco menor de desenvolvimento de complicações crônicas do
diabetes, em especial a doença na retina e nos rins.
"Esperamos que esses resultados chamem a atenção da comunidade médica e,
principalmente, das autoridades, pois as complicações oneram o sistema de
saúde", alerta Chacra. "Trata-se de um sério problema de saúde pública
representado pelo elevado número de pacientes diabéticos com controle inadequado
da doença no Brasil", conclui.
Fonte:
http://www.segs.com.br
Autor: Eliana Aguiar