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Noticiado em 11/4/2007
- Jornal Nacional
Brasileiro livra diabéticos de insulina
Tratamento usa células-tronco e é o primeiro a dispensar o uso de remédios.
No estudo supervisionado por cientista da USP, 15 pacientes abandonaram
injeções.
Uma terapia experimental com células-tronco, projetado para reverter a
evolução da diabetes tipo 1, permitiu aos portadores da doença se livrarem
das injeções de insulina por meses e, em um caso por três anos, revelou um
estudo publicado nesta terça-feira (10) nos Estados Unidos, supervisionado
pelo cientista brasileiro Julio Voltarelli, da Universidade de São Paulo, em
Ribeirão Preto.
Treze dos 15 pacientes que participaram dos testes com a nova terapia
conseguiram se livrar das injeções de insulina das quais depende a maioria
dos diabéticos e continuam livres de insulina até hoje, informaram os
autores do estudo em artigo publicado no "Journal of the American Medical
Association" (JAMA).
Um dos primeiros pacientes a se submeter ao procedimento está há três anos
sem recorrer a qualquer suplemento sintético de insulina para regular os
níveis de glicose em seu organismo.
"Esta é a primeira terapia para (portadores) de diabetes tipo 1 a ter como
resultado a suspensão do tratamento com remédios", disse Richard Burt, chefe
de imunoterapia da Escola de Medicina Feinberg, da Universidade Northwestern,
em Chicago, e um dos principais autores do estudo.
Enquanto os cientistas continuam a monitorar o progresso dos pacientes, os
resultados preliminares evocam a possibilidade inquietante de que a diabetes
tipo 1 não seja uma sentença perpétua, segundo um proeminente pesquisador
americano especializado em diabetes.
"Este estudo, realizado por Voltarelli e outros, é o primeiro do tipo que
provavelmente será adotado no futuro em muitas experiências com terapia
celular para interditar o avanço da diabetes mellitus tipo 1", escreveu Jay
Skyler, da Universidade de Miami, em um editorial que acompanhou o artigo no
JAMA.
"A pesquisa neste campo deve explodir nos próximos anos e deverá incluir
testes aleatórios controlados, bem como estudos mecânicos. À medida que
futuros estudos confirmarem e se fundamentarem nos resultados de Voltarelli
e outros, poderá estar próximo o momento para o início da reversão e da
prevenção da diabetes mellitus tipo 1", acrescentou.
A diabetes tipo 1 abrange apenas de 5% a 10% de todos os casos da doença,
mas pode resultar em complicações sérias, incluindo cegueira, falência
renal, problemas cardíacos e derrame.
Ela ocorre quando o próprio sistema imunológico do corpo ataca e destrói as
células beta do pâncreas, que produzem insulina, causando a falta do
hormônio, necessário para regular os níveis de glicose no sangue. Quando a
maioria dos pacientes recebe um diagnóstico clínico da doença, de 60% a 80%
de suas células beta já foram liquidadas.
Com este estudo, os cientistas esperavam que se eles interviessem cedo o
suficiente, poderiam reprogramar o sistema imunológico do corpo, permitindo
ao pequeno reservatório de células beta se regenerar. Para este fim, eles
recrutaram diabéticos que receberam o diagnóstico no período de seis semanas
antes ao estudo.
Os cientistas começaram a experiência coletando células-tronco dos
voluntários. Então, os pacientes se submeteram a uma quimioterapia para
eliminar seu próprio sistema imunológico e, em seguida, receberam
transfusões de suas próprias células-tronco para reconstruir seu sistema
imunológico.
Catorze dos 15 voluntários -- 93% -- ficaram livres das injeções de insulina
por algum período que se seguiu ao tratamento. Onze dos dispensados de tomar
insulina suplementar depois do tratamento não recorreram desde então à
insulina sintética. Os períodos de remissão variaram de 36 meses para o
paciente que iniciou a terapia primeiro, a seis meses para os que a
iniciaram mais tarde.
Outros dois pacientes precisaram de alguma insulina complementar por 12 a 20
meses depois do procedimento, mas finalmente ambos conseguiram se livrar das
injeções de doses sintéticas do hormônio. Um paciente ficou 12 meses sem
injeções, mas teve uma recaída um ano depois do tratamento, após sofrer uma
infecção viral, e retomou as injeções diárias de insulina. Outro voluntário
foi eliminado do estudo depois que apresentou complicações.
Segundo os autores da pesquisa, são necessários mais estudos para avaliar a
segurança e a eficácia desta terapia, mas os primeiros indícios são
encorajadores quanto aos benefícios e ao baixo risco de efeitos colaterais,
que incluíram um caso de pneumonia e dois de disfunção hormonal. |